Valeu, Comandante!

BLOG DO MONTEDO

Aqueles que pensam somente com o bolso irão discordar, mas encerra-se o ciclo do melhor Comandante que o Exército teve nos últimos 39 anos, tempo em que estou na Força Terrestre.
Desde 1979, passamos pelos ministros Walter Pires, Leônidas, Tinoco e Zenildo. Após a criação do Ministério da Defesa, tivemos os comandantes Gleuber, Albuquerque e Enzo. Junte-se a esses os representantes da Marinha e Aeronáutica nesse período. Meninos, nenhum destes sequer aproxima-se do General Villas Bôas em carisma, sagacidade e, principalmente,  liderança.
Nestes quase 40 anos, nenhum militar brasileiro mereceu tanto ser chamado de estadista como VB. De certa forma, os efeitos devastadores de sua enfermidade serviram para emoldurar essa condição. Sua atuação institucional impecável foi decisiva para balizar o papel que cabe aos cidadãos fardados num estado democrático de direito e estabelecer limites que ele sempre tratou de deixar claros às vivandeiras de ocasião, à direita e à esquerda do espectro político.
Intra-muros, o Comandante quebrou paradigmas arraigados no Exército desde a Missão Militar Francesa – e falamos aqui de exatos cem anos! – implantando as condições para uma mudança de mentalidade cujos resultados se farão sentir à médio e longo prazo.
Quem não vivenciou a história do pós-1964 terá muita dificuldade em compreender o significado de termos um subtenente a ler a Ordem do Dia do Comandante do Exército. Também não dará a devida importância ao fato de que – hoje! – cada oficial comandante tenha ao seu lado um representante dos praças sob suas ordens. Poucos conseguem compreender a História no momento em que ela ocorre. Isso pertence ao futuro, que virá quando tivermos uma carreira específica para graduados e quando sargentos exercendo funções de comando já não seja exclusividade de algumas escolas.
Missão cumprida.
Valeu, Comandante!