Cidades

O PROFESSOR DOUTOR DOROSNIL ALVES MOREIRA, UM SEMEADOR DE REVOLUÇÕES

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES


Em cada palavra, de forma intensa e profunda,

Não há apenas o eco de velhos saberes,
Mas o início de uma ação cidadã e fecunda,
Que desperta mentes e transforma seres.

 Ser professor é ser essencial, imprescindível, É moldar o amanhã com as próprias mãos, Tornando o conhecimento algo visível,

E plantando justiça nos mais jovens irmãos.

 Sua escrita no quadro é um manifesto,

Sua paciência, um ato de pura coragem,
O abraço ao futuro no olhar mais modesto,
Que faz da partilha a mais linda viagem.

 Enaltecemos hoje a sua força viva, Essa chama que acende a revolução, Que faz da mente humana criativa, E liberta o povo pela educação.

PROF. DOROSNIL ALVES MOREIRA ALVES MOREIRA

 No meu cérebro eu venho gestando há mais de um ano um texto reconhecendo o valor cidadão, humano, profissional do amiguinho de fé, o Doutor Dorosnil, para mim, com a intimidade que nos aproximou, apenas Dorosnil.

​Antes de o conhecer pessoalmente, meu saudoso pai, Paulo Saldanha Sobrinho – que foi prefeito por duas vezes e o conheceu no início dos anos 80, quando assessorava o Prefeito Francisco Nogueira Filho, um administrador probo, idealista e competente –ele me falava da excelente impressão desse paulista de Marília, educador, entusiasta e guerreiro, que formado, escolheu Guajará-Mirim para contribuir e enaltecer.

​Coisas decididas no mundo espiritual!

​Receando praticar uma “hagiografia”, palavra que se origina à biografia de santos e da trajetória de suas vidas santificadas,temo descrever a história do meu amigo numa visão altamente elogiosa, pura, de homem imaculado, o que certamente ele não o é!

​Assim como eu, aliás, como todos os humanos, o senhor Alves Moreira deve ter seus defeitos, não detectados pelo pseudo cronista, mas que seriam perdoados, em nome dos princípios cristãos que nos unem, visando ter as minhas imperfeições devidamente por ele perdoadas.

​Como quase todos universitários dos anos 70 compunha o seu lado ideológico em cima de Vladimir Lenin, Engel, Karl Max, autor de O Capital e de O Manifesto Comunista (numa parceria com Friedrich Engels), e Leon Trotsky, que jamais fizeram a minha cabeça.

​Porém, acabou se decepcionando com aqueles fundamentalistas, dada as contradições da doutrina fracassada. Se pudesse defini-lo o enxergaria hoje como um homem de centro-direita.

​Todavia, aqui, na fronteira, o Dorosnil lutava contra a insegurança dos locais, um tantinho xenófoba, que o viam com desconfiança, precipitadamente,esnobando-o.

​Alguns tentavam sabotar as ideias visionárias de um jovem de pouco mais de 20 anos, que, apenas, desejava participar e contribuir, e, menosprezando as sugestões que eclodiam do seu cérebro fértil e generoso, talvez por insegurança corporativa, o olhavam com desdém...

​Porém, a então Secretária Municipal de educação, professora Lenir Bouez, diante da sua capacidade decisória, sensibilidade e sabedoria apoiava o revolucionário sulista que chegava com ânimo de fazer acontecer.

​E o então chefe de Gabinete Marco Aurélio Palácio, experiente e sábio, e o meu pai Paulo Saldanha Sobrinho se antecipavam nos aconselhamentos e nas orientações àqueles que tentavam inibir as ações que tentavam modificar usos e costumes já vencidos pelo tempo, ofertados pela mente inovadora do “professorzinho” Alves Moreira.

​Sob o aspecto filosófico, sociológico e sob uma visão histórica quando a xenofobia se instala pode incutir na população autóctone uma insegurança que neutraliza a possibilidade de novas conquistas, novos avanços na geografia alvo, beneficiária de uma visão humana progressista.

​E ações resistentes, preconceituosas tentavam inibir as vitórias, que atrasavam por chegar porque não eram compreendidas por nós nativos, acostumados ao status quo, ao marasmo e fatalismo (ou passividade social), posto que desacreditávamos que não poderíamos mudar o curso dos acontecimentos e que padecer seria inevitável e que deveríamos cultivar aconformação.

​E resistindo a aceitar a necessidade de nos revolucionarmos, por incúria, sabotávamos as sugestões inovadoras do jovem educador e agíamos até com uma ausência de civilidade…

​A mentalidade de então levava a sociedade guajaramirense a não enxergar o nosso futuro promissor, posto que éramos reativos às transformações e não detínhamos a capacidade para lidar com o novo…

​Demorou, mas acabou conquistando o respeito de uma sociedade que passou a valorizá-lo ou vê-lo batalhando e conseguindo vitórias e mais vitórias para toda uma região!

​Hoje sabemos que os sociólogos e osantropólogos quando exercem os seus ofícios com inteligência e sabedoria, nos retirarão do abismo, do retrocesso, da automutilação, da perda do capital intelectual que nos induz como nativos a uma falsa superioridade em relação aos chegantes, apenas por insegurança, como já dissemos acima, o que retardou os avanços socioeconômicos, científicos e culturais,que poderiam chegar mais cedo, como, por exemplo, a educação superior, com a instalação da UNIR, presente a partir de 1982 na capital do estado, que custou a se fazer presente aqui, em Guajará, ou como uma extensão ou como o Campus.

​Embora tenha demorado, graças à liderança do professor Dorosnil e de outros próceres, chegou, chegando!

​Hoje, o Professor Dorosnil está consagrado na historiografia deste Município lindeiro, seja porque agiu para fortalecer a primeira APROG – ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES DE GUAJARÁ-MIRIM, apoiado pelo Paulo Soares de Medeiros (já no andar de cima) e por Nilo Pires de Oliveira, que virou base para dois Sindicatos, o SINTERO e o SINDSEF.

​“Como docente e pesquisador do Departamento de Ciências da Educação, contribuiu para a implantação de diversos cursos de graduação e pós-graduação, com destaque para os programas de Mestrado eDoutorado em Linguística Indígena (1994 a 1999)”, frases recolhidas do trabalho HISTÓRIA E MEMÓRIA: UM ESTUDO SOBRE IDEIAS, PENSAMENTOS, PROJETOS E REALIZAÇÕES DO PROF. DR. DOROSNIL ALVES MOREIRA, EM GUAJARÁ-MIRIM (RO), NA FRONTEIRA BRASIL/BOLÍVIA.

​Um dia chegou a hora do seu crescimento maior! E a PÓS Graduação, o Mestrado e o Doutorado lhe abençoaram a brilhante trajetória, sinalizando a vitória pessoal do menino de Marília, São Paulo, um dos maiores guajaramirenses, entre muitos! Orgulho dos amigos, confrades e dos filhos! Orgulho de seus alunos e alunas!…

​Além do mais, esse meu amigo sobre quem escrevo liderou diversos projetos trazendo o Curso Superior, o Campus Universitário e o IFRO para a nossa cidade, escudado na proximidade com o então Senador Waldir Raupp e Deputada Mariinha Raupp, dois grandes benfeitores, aqui e alhures.

​A valorização do Professor do Estado de Rondônia foi conquista de muitos, mas exercitada pela liderança do agora doutor Dorosnil Alves Moreira, o que garantiu maiores direitos aos Educadores de ontem e de hoje.

​Plugado no futuro, convidado para ser membro fundador da Academia Guajaramirense de Letras – AGL, não se fez de rogado e enalteceu com a sua personalidade tão bem delineada essa Sagrada Instituição, criada em 20 de agostode 2009 e instalada no mesmo ano, em 12 de setembro.

​Professor Dorosnil Alves Moreira, para mim, já cravado no meu 80º aniversário, já mais vivido, portanto, valho-me da presente crônica para lhe dizer umas verdades: você virou simbolicamente “meu amigo de infância”, é companheiro de fé, transformado em irmão, tornei-me seu admirador e ardoroso fã, porque o reconheci como homem virtuoso, como um intelectual de vanguarda e com quem aprendo a cada conversa.

​Como guajaramirense nativo ergo à Deus uma prece de gratidão por você ter escolhido esta abençoada terra paratrabalhar, se dedicar a ela e vencer! Você também se transformou, – a exemplo da nossa amiga Maria Cristina Victorino de França, Carmen Tereza Velanga e Celso Ferrarezi Junior – num Ser imprescindível, dada a fecunda ação cidadã tão revolucionária que nos encanta reconhecer, enaltecendo!

​Guajará-Mirim lhe deve tanto!… Só precisa reconhecer!

 


Edmilson Braga - DRT 1164

Edmilson Braga Barroso, Militar do EB R/1, formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Rondônia e Pós-graduado em Gestão Pública pela Universidade Aberta do Brasil.

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