MPRO ajuíza ação para que Estado e Município fiscalizem jornadas de profissionais da saúde
Irregularidades foram identificadas em 11 inquéritos civis. Prejuízo aos cofres públicos já calculado pode chegar a R$ 1 milhão, sem considerar outros casos ainda não apurados

As investigações apontaram situações em que as jornadas de trabalho eram incompatíveis. Houve registros de ponto no mesmo horário em unidades de saúde distantes até 87 quilômetros, plantões sobrepostos e casos de profissionais afastados por licença médica em um órgão, mas com registro de trabalho em outro. Mesmo nessas situações, os pagamentos foram feitos integralmente.
Prejuízo aos cofres públicos
O Núcleo de Análises Técnicas (NAT) do MPRO calculou os danos aos cofres públicos em sete dos casos investigados. O valor soma cerca de R$ 740 mil, com base em valores apurados entre 2024 e 2026. Com a atualização, o prejuízo pode chegar a aproximadamente R$ 1 milhão.
O Estado cobra a dívida por meio de uma ação de execução fiscal, mas o médico ainda não foi citado. Com esse débito, o prejuízo já identificado nos procedimentos analisados pelo MPRO ultrapassa R$ 1 milhão.
Falta de controle dos vínculos
Os 11 inquéritos representam apenas parte do problema. Em levantamento feito na folha de pagamento de agosto de 2026, a própria Sesau identificou 554 servidores com duplo vínculo. A Secretaria também informou que não possui um sistema para cruzar essas informações com os dados do município.
Para o MPRO, as ocorrências revelam falhas no controle das jornadas, e não apenas situações isoladas. As investigações apontaram que Estado e Município não identificaram as irregularidades por iniciativa própria. Também não notificaram os profissionais para regularizar os vínculos incompatíveis, nem adotaram medidas para cobrar os valores pagos indevidamente.
Antes de ajuizar a ação, a Promotoria expediu uma Recomendação Estruturante e realizou uma reunião com as duas Secretarias de Saúde, em agosto de 2026. Apenas o Estado apresentou resposta. Nenhum dos entes comprovou a adoção de medidas concretas para resolver o problema.
Medidas solicitadas à Justiça
A ação não tem como objetivo punir gestores ou servidores. O pedido busca corrigir as falhas de fiscalização e evitar novas irregularidades. Para isso, o MPRO solicita que a Justiça determine ao Estado e ao Município:
– a abertura de processos administrativos para apurar a situação de cada profissional identificado nos inquéritos;
a cobrança, por meio judicial ou acordo, dos valores pagos indevidamente, com a comprovação das medidas no processo;
– a criação de uma fiscalização a cada quatro meses, para que os profissionais informem todos os vínculos de trabalho, públicos e privados, e comprovem a compatibilidade das jornadas;
– a notificação dos profissionais que possuem vínculos incompatíveis, para que escolham um dos cargos, conforme as regras legais.





